Marco Aurelio Seta
Sem categoria

CEPAL: JOVENS “NEM-NEM” NO BRASIL

Relatório da Comisão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal) traz dados sobre os jovens “nem-nem” (que nem estudam, nem trabalham) no Brasil segundo gênero e raça. O relatório mostra que, em 2013, 6,5 milhões de jovens brasileiros de 15 e 24 anos se encaixavam nessa categoria. Ainda, uma em cada quatro mulheres nessa faixa etária se insere na categoria de “nem-nem”, quase o dobro da proporção que se observa entre os homens. Tal diferença pode ser explicada pela alta porcentagem de jovens que realiza alta carga de trabalho doméstico não remunerado, com a falta de sistemas que permita conciliar estudo, trabalho e família e também dividi-lo com os outros membros do domicílio.

O gráfico abaixo, retirado do relatório, mostra que não só a questão de gênero é importante para entender a realidade dos jovens dessa faixa etária, mas também a questão racial: entre os negros a proporção de nem-nem é mais alta e, entre as jovens negras, a proporção é maior: 29,6% das jovens negras de 15 a 24 anos em 2013 se encaixavam na categoria nem-nem. Já a taxa mais baixa é a dos jovens (homens) brancos, de 12,1% em 2013, quase um terço da taxa das jovens negras.

Brasil: proporção de jovens de 15 a 24 anos que não estudam nem estão ocupadas no mercado de trabalho (“nem-nem”), segundo sexo e cor da pele, 2004-2013

04GYqRXWeHz8SAVg0vmylRskaiBJCWKh6lpCc89ddYd6n0hVtp5VFSiMS09WaqrkvluOzzCa3b_W_nrVCvc0l9D-EArKYpy-WXbE60k3-ZTPykt3PO9Qzzm1kcw=s0-d-e1-ft

Nos últimos meses, com a escalada do desemprego, o cenário para os jovens não é promissor. Mulheres e negros, em especial, que se favoreceram muito com a melhoria do mercado de trabalho e dos índices sociais na última década, tendem a ser os primeiros afetados, agravando as desigualdades aqui refletidas.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Secured By miniOrange