Marco Aurelio Seta
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FALTA DE MÉDICOS

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Artigo do Ex-Senador Roberto Saturnino Braga, nº 267/2013

Objetivamente, o Brasil tem falta de médicos. Pode haver deficiências na qualidade da formação, pode haver deformações na gestão publica do setor e ainda outros aspectos importantes a corrigir; mas o fato objetivo é inelutável: há 1,8 médicos por mil habitantes no Brasil e este é um índice muito baixo; deveria ser dobrado. E, se esta média nacional é muito baixa, que dizer dos índices regionais nas zonas mais distantes dos nossos grandes centros onde se concentram nossos médicos?

Esta é, efetivamente, uma urgência nacional do Brasil. Quer dizer: trata-se de uma questão de curto prazo, que está implícita e explícita nas manifestações do nosso povo nas ruas, e que tem de ser enfrentada agora, este mês, no próximo, este ano, no próximo. É importante, sim, aumentar o número de vagas nas escolas de medicina, rever os currículos para melhorar esta formação, e o que mais for preciso, mas é urgente aumentar logo a quantidade de médicos em todo o País, especialmente naquelas regiões mais carentes deste atendimento absolutamente prioritário.

Então não há saída: é triste mas o Brasil tem de importar médicos; os protestos corporativos são respeitáveis, têm de ser escutados, mas não convencem.

Obviamente terá de haver algum tipo de confirmação de qualidade desses profissionais estrangeiros, como também o estabelecimento de condições de exercício de tal forma que eles não venham a deslocar a atuação de médicos brasileiros. Pois então, sim: que se discutam e rapidamente se estabeleçam estas

condições previamente estipuladas, porém, que tais condições não impeçam a importação urgente dos profissionais. Paralelamente, claro, e também urgentemente, que haja providências para que em futuro próximo o Brasil não precise mais de médicos estrangeiros.

Outro ponto que merece discussão nacional é o serviço público obrigatório daqueles jovens que se formam nas universidades públicas gratuitas. O governo está propondo para os médicos recém-formados, eu sou favorável mas acho que devia ser estendido a todos os profissionais que saem dessas universidades, como uma compensação pela gratuidade. Um serviço de um ano, análogo ao serviço militar, remunerado, naturalmente, como é o serviço militar. Interessante tema para um amplo debate, usando a televisão e inúmeros foros por todo o país, seguido de um consulta: um plebiscito, por que não?

Mas voltemos à importação: Quando se fala em médicos estrangeiros é imediato e natural que se pense em médicos cubanos. Porque Cuba tem uma tradição bem antiga e bem mantida de boa formação de médicos; porque Cuba é um país pobre que apresenta excelentes índices de saúde do seu povo; e porque Cuba é um país que tem dezenas de milhares de profissionais médicos atuando em dezenas de outros países pobres pelo mundo a fora com resultados reconhecidos e elogiados. Resultados tão positivos que o governo dos Estados Unidos instituiu um programa especial e mesquinho para destruir essa presença humanitária cubana, para corromper esses médicos oferecendo muitas vantagens aos que desistirem de ser cubanos e emigrarem para Miami, onde têm abrigo e bons salários garantidos. Uma vergonha que em dez anos conseguiu atrair menos de 2% desses cubanos engajados nos programas de ajuda médica em países pobres.

Bem mas ninguém está propondo que sejam só cubanos os médicos importados: que venham os espanhóis, portugueses, italianos, cujos países estão em crise profunda de desemprego. Mas que venham também os cubanos que, com certeza, vão aceitar o exercício nas regiões mais longínquas e carentes do nosso Território. E é justamente aí que reside o problema para as mentes da nossa direita política e da mídia em geral. O problema sério está precisamente no perigo de contaminação ideológica desses bons médicos cubanos.

Cuba tem um PIB muito baixo, não tem a nossa democracia ocidental, mas tem um quadro de igualdade social e de excelência de serviços humanísticos, de educação, de saúde, de assistência social, como de preservação ambiental e de desenvolvimento cultural e artístico, que a coloca no topo das estatísticas mundiais referentes a esses setores. E tem mais: tem uma consciência de solidariedade humana sem paralelo neste nosso planeta, sem precedente na História da Humanidade, excetuadas as primitivas comunidades cristãs.

Eis o perigo; o enorme perigo: o exemplo dos médicos cubanos; a contaminação por este sentimento cristão de solidariedade humana. É vergonhoso este medo dos conservadores, mas infelizmente ele existe, e atrapalha muito a solução dos problemas de saúde da nossa população.

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