Marco Aurelio Seta
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Ipea: Estudo analisa a influência da educação nos rendimentos do trabalho

Texto para discussão do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) avalia em que medida a educação pode ser considerada um dos principais determinantes dos rendimentos do trabalho no Brasil.

Utilizando dados do Censo Demográfico de 2010, o estudo analisa características dos trabalhadores adultos com idades entre 25 e 64 anos com rendimentos positivos, e mostra que, se o trabalhador brasileiro típico tem níveis educacionais baixos (mais da metade da força de trabalho adulta sequer possui educação secundária completa e apenas um sexto tem diploma universitário), entre os trabalhadores 1% mais ricos do país, os níveis de escolaridade são elevados.

O estudo mostra que altos níveis de escolaridade e formação em áreas específicas (como medicina, direito, engenharias) aumentam as chances de um trabalhador pertencer ao 1% mais rico, mas também demonstra que a educação não é um dos principais fatores que explicam a riqueza no Brasil: as estimações dos pesquisadores mostram que grande parte dos pertencentes ao 1% mais rico da população seria rica mesmo sem a contribuição líquida estimada da educação, devido a, por exemplo, fatores como laços familiares e sociais, probabilidade de as famílias assumirem mais riscos na manutenção dos filhos etc. Portanto, segundo o estudo, não se deve assumir que os ricos são ricos predominantemente por serem mais educados, pois existem outros fatores, mais importantes, que explicam essa desigualdade.

Assim, se parte importante da desigualdade entre o 1% mais rico e o total da população não parece ser reduzida por políticas educacionais, como mostra o estudo, impõem-se outros desafios em termos de políticas públicas.

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