Marco Aurelio Seta
Sem categoria

Mercado de trabalho: diferenciais entre trabalhadores com curso superior

Texto para Discussão do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de autoria de Maurício Cortez Reis e Danielle Carusi Machado, aborda o mercado de trabalho para indivíduos que concluíram o ensino superior no Brasil, usando dados do Censo de 2010. Tais indivíduos representam cerca de 15% do total de ocupados no mercado de trabalho brasileiro, segundo os pesquisadores.

Indivíduos com formação superior recebem rendimentos três vezes maiores em comparação com os demais trabalhadores, segundo os autores. No entanto, os rendimentos no mercado de trabalho também podem variar bastante, dependendo do tipo de curso superior escolhido pelo trabalhador: por exemplo, segundo o estudo, mesmo controlando para características individuais, pessoas com formação na área de engenharia recebem cerca de 80% a mais que aqueles na área de educação.

Além disso, uma parcela dos trabalhadores com nível superior no Brasil atua em ocupações sem relação com a área de formação, com penalidade sobre os rendimentos. No entanto, trabalhadores com pós-graduação – principalmente os que possuem doutorado – se mostram muito mais propensos a terem uma ocupação diretamente relacionada com a área de formação nos termos definidos no estudo.

Assim, a área de formação está bastante relacionada com a remuneração no mercado de trabalho: para determinadas áreas, não apenas os rendimentos são menores em média, como também é alta a probabilidade de o indivíduo ter uma ocupação não relacionada com a sua formação, o que contribui para rendimentos ainda menores (como exemplificam os autores, com as áreas de educação, humanidades e artes).

Assim, o estudo mostra mais uma das faces da desigualdade do mercado de trabalho no Brasil, que também se manifesta mesmo que o cidadão ou cidadã tenha tido acesso ao ensino superior.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Secured By miniOrange