Marco Aurelio Seta
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O DEUS MERCADO ATACA NOVAMENTE

O Ex-Senador Saturnino Braga em seu Artigo 308, dessa semana, mostra como o “Deus Mercado” ligado ao sistema financeiro nacional e internacional tenta influenciar nas eleições presidenciais de outubro vindouro. Esse mercado é o mesmo que sangra a nossa população recebendo a sua bolsa família milionária, pois consome mais de 40% do orçamento federal através do pagamento de juros,  mora e principal da dívida interna e externa. Não vamos nos render a esse mercado! Viva a sociedade brasileira livre e democrática!

Tal como na primeira eleição de Lula, o deus-mercado, espécie de Moloch de antigos povos bárbaros, baixa sobre os brasileiros de hoje, aterrorizando e exigindo sacrifícios. O mercado, aliás, tem muito a ver com barbaridades e selvagerias legalizadas. Exige sacrifícios: a volta ao modelo liberal-concentrador, entreguista, privatista, redutor de empregos e salários. É o preço a pagar para que a inflação baixe, o PIB cresça e a mídia volte a dar notícias bonançosas para tranqüilidade e otimismo do povo. Tudo sob o comando do mercado, que maneja bem essas coisas ao sabor dos seus interesses, e sustenta que a Política não sabe administrar.

O episódio vergonhoso do Banco Santander, com a reação hipócrita da sua direção, reflete o pensamento e a vontade do mercado, que faz oscilar a Bolsa de Valores, para cima ou para baixo, conforme a variação dos índices de votação da Presidente Dilma dados pelas pesquisas de opinião. E os colunistas do mercado se encarregam de fornecer as explicações e as previsões com fundamentos racionais e científicos; convincentes. E os consultores do mercado, profissionais eficientes com remunerações soberbas, que assessoram os endinheirados nos caminhos da pletora, orientam seus clientes na política eleitoral da restauração do capital.

Ocorre que a maioria da população não alcança bem os argumentos científicos, mas tem bom-senso, tem sabedoria política, tem a memória coletiva junto com a experiência dos fatos a mostrar que as condições do povo melhoraram bastante nos últimos doze anos, e o Brasil passou a ser mais respeitado no mundo. E, o principal, a maioria não acredita nas ameaças desse deus-mercado nem nos colunistas e consultores bem remunerados que o defendem.

A Política, entretanto, tem fatores imprevisíveis, e eleições têm sempre, pela sua natureza, uma forte dimensão psicológica, cheia de intensas e surpreendentes variações. Por isso, não faço previsões e não acredito em pesquisas senão nas duas últimas semanas antes do pleito. Cumpro, entretanto, o meu dever de cidadania de dar minha opinião sobre essas pressões espúrias do grande capital.
A democracia é o menos imperfeito dos sistemas e uma de suas virtudes é, realmente, a alternância do poder, a renovação de forças e propostas políticas capaz de fazer avançar o processo de civilização da humanidade e de desenvolvimento pluridimensional das nações. Obviamente, este avanço se consegue com propostas claras e convincentes, não com o apelo a crenças ultrapassadas, como a da velha mão invisível, nem com métodos científico-falaciosos como estes usados pelo deus-mercado.

O moloch-mercado rondou estreitamente a Venezuela e agora ameaça assustadoramente a Argentina. São países irmãos cujo destino interessa muito de perto ao Brasil, política e economicamente; e também afetivamente. A Venezuela, que tem a força da sua PDVSA, vai conseguindo superar os assédios, e a Argentina, que é o alvo da vez, não tem nenhum instrumento de defesa, tudo foi entregue ao deus no furacão doSr.Menen.AArgentinaprecisaserajudadaportodasasnaçõessulamericanas.

O Brasil, entretanto, desde Getúlio Vargas, tem condições mais robustas de defesa; tem bastiões muito fortes que resistiram ao vendaval FHC: a Petrobrás, o BNDES, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, o Banco Central não independente comandado pela política, o Banco do Nordeste, o da Amazônia, o BRDE, a Eletrobras, Furnas, a Embrapa, a Fiocruz. É uma sustentação muito forte para o enfrentamento com o mercado, mesmo tendo perdido a Vale, a Embraer, a Light e todo o sistema Telebras naquele vendaval. A Nação Brasileira mantém um comando político forte sobre a sua economia, desenvolve programas eficientes de distribuição da renda interna e cria, junto com os demais BRICS, instrumentos internacionais de proteção e desenvolvimento.

O Brasil não precisa temer os arreganhos do deus-mercado. É um dos poucos países do mundo que possui esta condição. E, o que é mais importante, é uma nação que tem consciência desta condição especial; uma consciência historicamente amadurecida em muitos anos de opressão, enganação e humilhação.

Fonte: www.saturninobraga.com.br

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