Marco Aurelio Seta
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Racismo e Liberdade de Expressão

Conte-algo-21.02

O Francês Stephane Brodt, ator e diretor radicado no Brasil, que dirige a peça “Salinas”, concedeu uma entrevista ao jornalista Claudio Nogueira (Jornal O Globo, 21/02/2015, pág. 2) que chamou minha atenção e que compartilho para uma reflexão sobre o racismo e a liberdade de expressão.

Vejamos o que Stephane Brodt diz sobre a situação do negro no Brasil na área artística:

  • CN – Conte algo que não sei.
  • SB – Na França, o teatro é mais mestiço que no Brasil. Aqui, ator negro tem que ter muita garra. Na França, numa peça de Shakespeare ou de Molière, não importa a cor dos atores. No Brasil, negro só faz papel de negro. Não sei se é racismo. É uma palavra muito forte. Mas é algo que vem da escravidão.

Em poucas palavras, no meu entendimento, Stephane Brodt evidencia, numa amostragem, qual a realidade do negro no país. O preconceito coloca-o no gueto, exclui e limita suas oportunidades. As evidências dentro da nossa sociedade são claras, lamentavelmente existe a exclusão do negro em vários setores, não restando dúvida que a política de cotas tem que ser reafirmada, caso contrário continuaremos construindo uma sociedade dividida que exclui mais de cinquenta por cento dos seus filhos. Certo que essa exclusão acarreta distúrbios sociais, entre eles a criminalidade e a violência, principalmente, nos grandes centros urbanos.

E sobre liberdade de expressão Brodt é taxativo.

  • CN – Você acha que a liberdade de expressão tem limites?
  • SB – Sim, a liberdade vai até um limite. Você pode ser até enérgico no que denuncia, mas tem que ter um filtro. Saber fazer crítica. É proibido proibir, mas não é proibido respeitar. Alguém pode perguntar se devemos respeitar um ditador, mas não é porque eles são violentos que o crítico também vai ser. Pode-se denunciar a corrupção no Brasil, mas sem violência.

 

A discussão sobre a liberdade de expressão deve ser amadurecida no âmbito da nossa sociedade, pois é inegável que setores, principalmente da imprensa, vêm desrespeitando a liberdade de expressão. Acredito que esteja na hora da reflexão para o aperfeiçoamento da nossa democracia.

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